Por Alex Dias *
Larry Page e Sergey Brin, os fundadores do Google, têm uma máxima que não canso de repetir: "We run this company based on data, not assumptions". Numa tradução livre, isso significa que as decisões que tornaram o Google uma das marcas mais importantes e valiosas do mundo foram tomadas com base em dados -- e não em achismos.
É justamente sobre dados e informações que eu gostaria de escrever hoje. O advento das novas tecnologias trouxe novas maneiras de organizar as informações e disponibilizá-las de modo útil e fácil para os usuários. Trouxe também novas formas de se comunicar, como as redes sociais, e de aproximar anunciantes de seus públicos, como os links patrocinados. Mas, sobretudo, as novas tecnologias trouxeram inovações importantes para o mundo da comunicação.
Agências, anunciantes e veículos vivem hoje uma nova realidade de comunicação, cujas possibilidades ultrapassam em muito o tiro certeiro que os comerciais de 30 segundos na TV representavam no passado.
Não é exagero dizer que a Internet se tornou mainstream -- e que isso trouxe mudanças profundas para todos, em especial para os profissionais de mídia. Todos nós sabemos como segue importante para marcas e empresas estar no Jornal Nacional, na revista Veja, na Folha de S. Paulo, nos canais de TV a cabo. Mas será que também não é importante estar nos grandes sucessos de público da Internet, como por exemplo, o Orkut -- uma comunidade que possui mais de 40 milhões de usuários ativos? Ou no YouTube, que é alimentado pelos usuários com 20 novas horas de vídeo a cada minuto?
Os dados mostram que sim. O Brasil possui hoje cerca de 60 milhões de usuários de Internet -- público maior do que revistas e TV paga. No ano passado foram realizadas compras online da ordem de US$ 10,908 bilhões na América Latina, de acordo com um estudo feito pela comScore MediaMetrix para a Visa Inc. O número de visitantes únicos dos 25 maiores sites da região registrou aumento de 29% entre setembro de 2007 e setembro de 2008. No Brasil, que concentra 45% do comércio eletrônico regional, as vendas online dobraram nos últimos dois anos.
Esse cenário se sustenta mesmo em tempos de crise econômica global. Consumidores recorrem cada vez mais à Internet para consultar preços, buscar ofertas e oportunidades. Ter menos dinheiro significa pesquisar e avaliar onde investi-lo melhor. Os internautas também passam mais tempo online se comunicando, em busca de informação ou entretenimento. Todas as interações do usuário com os sites pode ser transformada em dados, o que torna a comunicação entre empresas e consumidores mais científica. Webmasters podem melhorar suas páginas a partir de análise de como o internauta se relaciona com seu conteúdo. Também a publicidade online é 100% mensurável. Empresas que investem em links patrocinados pagam apenas quando os usuários clicam em seus anúncios -- e a quantia paga é determinada pela empresa em questão, o que permite um controle rígido dos investimentos.
Nenhuma opção publicitária oferece a escalabilidade da Internet. Um pequeno anúncio pode ser visto em todo o planeta. Muitos negócios de nichos específicos podem, por meio da Web, gerar negócios suficientes para sobreviver e crescer. Uma empresa, por mais pequena que seja e por menor que seja seu orçamento de marketing, pode sair em busca de oportunidades no mundo. Tudo o que precisa é de um bom produto, um bom serviço e uma conexão. A publicidade na rede é hoje a melhor ferramenta de alcance das empresas para manter uma forte presença na mente dos consumidores.
Mas a publicidade por meio de links patrocinados não é a panaceia universal que vai resolver todos os problemas. Hoje, uma boa estratégia de comunicação deve contemplar também a presença da Internet como um todo, combinando links patrocinados com display, website e por que não redes sociais e YouTube? Além disso, para empresas de maior porte, com demandas mais sofisticadas, a associação de midias on e off-line é capaz de alcançar o público alvo em momentos diferentes com intensidade e relevância distintas.
Se juntarmos esses fatores -- a popularidade cada vez maior da Web e sua perfeita capacidade de mensuração --, chegamos a um cenário muito favorável para os profissionais de mídia das agências e de comunicação em geral. Eles têm em mãos uma capacidade única de inovar, gerando oportunidades criativas e eficientes para empresas de todos os portes e segmentos.
Um caso recente e muito comentado é o da presença online do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Durante a campanha, Obama media o interesse do eleitorado por meio de ferramentas online. Abriu canais de comunicação em diversas mídias sociais. E atingiu uma visão privilegiada em relação a seu rival, na medida em que a busca mensurava a procura por um e outro candidato e permitia eventuais correções nas estratégias de campanha.
Obama também percebeu que milhões de pessoas acessam a Internet utilizando sites de buscas. E aproveitou o potencial de espaços publicitários próximos aos resultados da procura, separando o que é publicidade e o que é conteúdo de maior relevância para o usuário. O sucesso foi tamanho que mesmo após a campanha, Obama não parou. Hoje continua fazendo bom uso da Internet como mídia preferencial com o público.
As possibilidades de comunicação empresa/consumidores via Internet são muitas e cabem em bolsos de todos os tamanhos, mas não é mais uma opção. Não há nenhum motivo para você não estar na Internet, o seu público já está.
Por Alex Dias é o Diretor Geral do Google Brasil
